Bola Preta
Sala Fernanda MontenegroNovos ventos sopram a favor da inspiração e extravasam o universo de Nelson Rodrigues. O impulso inicial partiu da jovem atriz, Biá Napolitani, que se revela na autoria do texto “Bola Preta” – que tem o objetivo de mostrar e discutir sobre o que é ser artista. Apresentar os bastidores e a dualidade da profissão. Assim como a complexidade e a agitação que o ator passa durante cada processo de trabalho. De acordo com a autora, a peça discute a própria questão da identidade do ator e a construção de um personagem: “Além disso, quero refletir sobre como lidar com o fim. O teatro é a arte mais efêmera que existe”, justificou Biá. É dessa constatação que o texto ganhou forma. Ele se passa em pleno carnaval dos dias atuais, no último dia de apresentação da peça “Os Sete Gatinhos” de Nelson Rodrigues. Bola Preta se inicia com a última cena da peça rodrigueana.
O texto traz quatro atrizes sensíveis e angustiadas com o fim de mais um trabalho. Elas resistem a tirar o figurino e partir, enquanto o funcionário do teatro insiste para que elas saiam e ele feche o local. O elenco não consegue se desligar das personagens e resolve fazer um ritual de despedida após a apresentação. Diante do impasse, as angústias das atrizes aumentam até que entram em cena os personagens de “Os sete gatinhos”. Eles surgem como seres independentes dos atores, com desejos e vontades próprias. Do mesmo modo, também não querem que as atrizes vão embora, pois a partir desse momento eles não existirão mais – somente em uma folha de papel. Exaustos, atores e personagens travam um duelo. Quem precisa mais de quem? Qual o limite entre realidade e ficção?
A iniciativa audaciosa conta com a direção desbravadora do diretor Marco Antônio Brás, vencedor do prêmio Shell SP de 2009. Na encenação, ele adota citações e referências do teatro brasileiro. Braz define o espetáculo como “uma farsa trágica carioca em ato único”. O elenco também traz artistas premiados: Juliana Delgado e Biá Napolitani receberam em 2008 o Troféu Arlequim, no Festival de Teatro Cidade do Rio de Janeiro, de melhor atriz e melhor atriz coadjuvante. No mesmo Festival e com o mesmo troféu, a atriz Helena Machado foi a vencedora com o melhor texto. O elenco conta ainda com o ator Mário Hermeto, que ao longo dos 35 espetáculos de sua carreira participou de duas peças premiadas. Bola Preta apresenta uma das mais promissoras atrizes da nova geração, Maria Eduarda Machado, atriz que se revelou no ano de 2006 em Malhação, da Tv Globo. A produção do espetáculo tem à frente o produtor cultural Eduardo Marins, idealizador dos mais importantes festivais de teatro do Rio e de São Paulo.
Texto: Biá Napolitani
Direção: Marco Antônio Braz
Assistente de Direção: Edvard Vasconcellos
Direção de Produção: Eduardo Marins
Elenco: Biá Napolitani, Juliana Delgado, Maria Eduarda Machado, Helena Machado e Mário Hermeto
Produção Executiva: Cris Pimentel
Assistente de produção: Idelina Jardim
Cenografia: Joana Passi
Figurinos: Clarice Rito
Iluminação: Rodrigo Graciosa
Trilha sonora: Eduardo Oliveira
Sou colunista da revista S!, única impressa e segmentada em forma de jornal/revista para o público GLBT no Brasil. Tenho escutado falar muito bem de vocês, e gostaria de falar, na próxima edição, sobre “Bola Preta”, poderia mandar material? Gostaria também de convites para assisti-lo. Aguardo resposta.
Em tempo:
O site da revista, é:
http://www.s-revista.com.br
e a coluna chama-se: EU VI
Talvez estejamos diante de um super acontecimento do teatro brasileiro. Peça de estréia de uma autora muito talentosa (que mais parece uma veterana na arte da dramaturgia) somado ao desempenho de um elenco competentíssimo, como raramente se vê por aí. Parabéns à produção do espetáculo!
Muito legal a peça! Bastante dinâmico e prende ao tempo todo nossa atenção! Vale a pena conferir!!!
Sensacional! Adorei! Me diverti muito!