Deixa Solto

Sala Fernanda Montenegro

Deixa solto O próprio Ceylão explica o conceito: Quando eu comecei a me aventurar no mundo da comédia nem se sonhava com a era do youtube e do twitter. Não que faça tanto tempo assim, mas há dois anos não exista I-Pad, por exemplo, né? E já saiu o 3. E eu tenho medo de comprar um e logo ele ficar defasado. Fiz algumas peças de esquete, alguns shows de stand up comedy (apontam o fato de eu ter sido o pioneiro do gênero no país), e sempre tive que lutar por divulgação. Hoje qualquer rapaz criativo coloca suas idéias no mundo. Entrei numa crise que o meu jeito de expressar o discurso era antigo. Eu não acompanharia essa rapaziada. Nesse meio tempo até o Gerald Thomas – que eu acho incrível – desistiu e quase que pelo mesmo motivo. Agora ele até já voltou, porque mesmo sua desistência é um bem pensado marketing. Esperto. Não consigo deixar de ter algo a dizer. Não consigo deixar de querer me expressar. Se eu sou do palco, que eu pudesse trazer a estética dessa nova geração pra perto da minha. A rapidez do twitter, o formato caustico e conceitual dos esquetes de youtube (que vem do TV Pirata e passam pela liberdade do vídeo de galera de play), o frescor formal dos grupos de improviso… Tudo isso poderia ser traduzido pro velho teatro. Pro teatro que eu sei fazer até aqui. Montei uma equipe com representantes de todas essas áreas. Escrevendo comigo está Leonardo Lanna (do site e programa de tevê, “Sensacionalistas”, descoberto pela Rede Globo no Twitter). Ao meu lado, atuando, Rafael Infante, que participa de um grupo de improviso de sucesso, atua em vários programas jovens de humor no Multishow, além de fazer participações em programas de improviso na MTV. E na direção o meu “velho” amigo Alexandre Régis, que co-dirigiu show do Jô, dirigiu meu primeiro show solo e “Nós na Fita”, eterno sucesso. Pensei que o Régis me seguraria no solo das antigas, o que é sempre uma forma de segurança. E assim nasceu “Deixa Solto”. O nome vem do jeito que eu explicava o espetáculo até parar pra pensar na concepção desse texto que você está lendo. Era um vale tudo, uma mistura de stand up com esquetes, com o vigor e o clima espontâneo do improviso, mas, ao mesmo tempo, com a precisão do audiovisual (aquela precisão de quem se preocupa com câmeras e edição). Sem deixar de fora toques de Nanini ou Pedro Cardoso… Enfim. O novo com cara de velho e o velho com cara de novo. O espetáculo: A grande novidade do espetáculo “Deixa Solto” é o formato dos esquetes. Alguns chegam a durar apenas quarenta segundos, outros um minuto. O mais longo dura três minutos. Ao todo são mais de trinta esquetes numa agilidade insana. Entre um esquete e outro, pequenos diálogos entre os dois atores pontuam os temas apresentados. Durante os oitenta minutos de peça, os dois não saem de cena em nenhum momento. Como seria impossível qualquer troca de roupa ou cenário, então, optou-se por um estética a lá White Stripes, a banda, que brinca com as cores vermelho e branco. Todo o cenário e figurino foram pensados como se a capa de um disco independente de rock. Você olha aquilo e é tudo bonito, metido a moderno e aparentemente imutável. Porém, ao longo do espetáculo, cada um daqueles módulos espalhados vai se transformando em portas de loja de shopping, num penhasco, num consultório de psicanálise, um supermercado, ruas da cidade, apartamentos, boates ou o que mais a cena pedir. E os dois atores mergulham tão ferozmente nos personagens que, com poucos minutos, você já esqueceu que eles usam o mesmo terno o tempo todo.


Elenco: Fernando Ceylão e Rafael Infante Participação especial: Mário Neto Texto e cenário: Fernando Ceylão Trilha Sonora: Fernando Ceylão e Estevão Freixo Figurino: Bianca Jahara Direção: Alexandre Régis Direção geral: Fernando Ceylão Consultoria: Cintia Oliveira Produção Executiva: Marcelo Chaffin Realização: Tudo de Bom!



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