Gertrude Stein, Alice Toklas e Pablo Picasso

Sala Tônia Carrero

A peça Gertrude Stein, Alice Toklas e Pablo Picasso, texto inédito no Rio escrito por de Alcides Nogueira, tem como fio narrativo a vida da escritora norte-americana Gertrude Stein em Paris nos anos que antecedem e incluem a 1ª Guerra Mundial. Casada com outra mulher, Alice Toklas, e convivendo com o pintor espanhol Pablo Picasso, Gertrude transforma sua casa num local onde se reúnem grandes nomes das artes como Matisse, Hemingway, Apollinaire e Cocteau. Apesar de retratar o início do século XX, o objetivo da peça é o discurso da modernidade.

A relação afetiva e sexual entre Gertrude e Alice, as ironias de Picasso e os choques cômicos garantem a força dramática da montagem. Para encontrar o tom de “comédia anárquica” Alcides Nogueira inclui citações imediatamente identificáveis pelo público, brincando com o tempo/espaço das ações. Não é apenas com efeitos cômicos que os choques entram na peça. Eles estão presentes desde o início nas relações entre os três personagens que dividem a cena. Choques, choques, choques.

Alcides Nogueira, encantado pela história de vida e pelo legado que Gertrude deixou para a sociedade, relata que sempre se inspirou nela e em mais dois artistas: James Joyce e Arthur Rimbaud. “Gertrude, não somente nos livros, mas em seu salão parisiense, semeou muito do que viria a ser apreendido pelos artistas que o frequentavam. Artistas que revolucionaram as artes. Esta peça é um fruto das ideias de Gertrude Stein. O meu teatro sempre foi fortemente influenciado por ela e por autores que se alinhavam a essa desconstrução. Até pouco tempo, nós chamávamos de pós-moderno. Na verdade, acho que é pós tudo!”, diz.

Os blocos de texto se chocam, a velocidade é alta, os diálogos são quase impossíveis e à sombra dessa desumanidade, que culmina na guerra, o amor entre duas mulheres é a única coisa que acaba fazendo sentido.

Essa é a primeira vez que Bárbara Bruno dirige um espetáculo com o irmão, o ator e bailarino Paulo Goulart Filho. Ela interpreta Gertrude e, para isso, compara a preparação tanto corporal quanto psicológica ao de um atleta, “que não pode esmorecer em nenhum momento”.

Bárbara revela que decidiu dar vida à Gertrude pela personagem fascinante que ela representa. “Fazer a Gertrude é uma imensa honra por causa das suas ideias atemporais e seus questionamentos tão atuais. Eu mesma tenho muito de Gertrude: sua paixão, sua inquietação, sua eterna insatisfação com as coisas ao seu redor”, revela.


Autor: Alcides Nogueira

Direção: Bárbara Bruno e Paulo Goulart Filho

Cenário e Figurino: Maria Bonomi

Trilha Originalmente Composta: André Abujamra

Luz: Daniela Sanchez

Produção Executiva: Wagner Uchoa

Elenco: Bárbara Bruno, Sabrina Faerstein e Giuseppe Oristânio



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