Mamãe

Sala Fernanda Montenegro

2010, exatos 100 dias após ser diagnosticada com um tumor cerebral, a arquiteta Marpe Facó faleceu, deixando três filhos — entre eles o ator Álamo Facó. Acompanhada de perto por ele, essa dura jornada inspirou a criação de um monólogo absolutamente tocante. Como é de se esperar em um projeto tão pessoal, as digitais de Facó se espalham pela montagem: ele assina o texto, está em cena e divide a direção com Cesar Augusto. Tamanho grau de envolvimento poderia gerar um dramalhão lacrimoso, mas, felizmente, não é o que acontece aqui. Burilada com enorme zelo, a dramaturgia percorre caminhos instigantes, equilibrando-se com habilidade entre a exposição de episódios reais e sua eventual recriação com toques de ficção. A encenação reforça no palco essa fina harmonia entre o documental e o poético, evidenciada no flerte aberto com a performance e refletida em cada elemento da peça, da cenografia de Bia Junqueira à luz de Felipe Lourenço, passando por figurino e trilha sonora. O cuidadoso trabalho da direção favorece o encadeamento de cenas por vezes fragmentadas, impondo excelente ritmo à montagem. Em atuação meticulosa, mas nem um pouco fria, Facó ganha a plateia e faz de um espetáculo sobre a morte uma ode à vida.


Texto, Direção e atuação: Álamo Facó

Co-Direção: Cesar Augusto

Direção de Produção: Carlos Grun

Direção de Movimento: Luciana Brites

Direção Musical: Rodrigo Marçal

Cenário: Bia Junqueira

Desenho de luz: Felipe Lourenço

Trilha Sonora: Álamo Facóe Rodrigo Marçal

Figurino: TicianaPassos

Fotos: JulioAndrade e Miguel Pinheiro

Produção: Carlos Grun – Bem Legal Produções

Realização: Bem Legal Produções e Álamo Facó

 



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